
(Sérgio Carvalho) – Sete luzes para quarenta dias e uma chama que vence a noite.
A Avenida dos Aliados estava cheia. Ramos verdes erguiam-se no ar, misturados com conversas e risos. Samuel caminhava com os pais, sentindo o peso estranho daquela celebração alegre que anunciava sofrimento.
O Evangelho falava de um Rei que entra sem cavalos, sem exército, sem garantias. Jesus não ilude. Mostra desde o início que o amor verdadeiro passa pela entrega.
Samuel segurava o ramo com força. Pensava em tudo o que tinha aprendido nas últimas semanas: escolher, subir, ter sede, aprender a ver, aceitar ser chamado. Agora vinha a parte mais difícil: permanecer.
A menorah estava completa. Sete chamas acesas. O caminho estava iluminado — mas não facilitado.
Ao regressar a casa, pousou o ramo junto da Bíblia. Sabia que a Semana Santa não era um intervalo. Era o centro.


