
(Papa Leão XIV, Excertos da Catequese na Audiência Jubilar, 4 de outubro de 2025)
O Jubileu é um tempo de esperança concreta, no qual o nosso coração pode encontrar perdão e misericórdia, a fim de que tudo possa recomeçar de modo novo. Abre também à esperança de uma diferente distribuição da riqueza, da possibilidade de que a terra seja de todos, porque na realidade não é assim. Neste ano, devemos escolher a quem servir, se a justiça ou a injustiça, se a Deus ou o dinheiro.
Esperar significa escolher. Isto quer dizer pelo menos duas coisas. A mais evidente é que o mundo muda, se nós mudarmos. O segundo significado é mais profundo e delicado: esperar significa escolher, pois quem não escolhe desespera. Uma das consequências mais comuns da tristeza espiritual, ou seja, da acédia, é não escolher nada. Esperar, pelo contrário, significa escolher!
Gostaria de recordar uma mulher que, com a graça de Deus, soube escolher: Clara de Assis. São Francisco, escolhendo a pobreza evangélica, teve que romper com a própria família. Mas era um homem: houve o escândalo, mas foi menor. A escolha de Clara foi ainda mais impressionante: uma jovem que queria ser como Francisco, que queria viver como mulher, livre como aqueles irmãos!
Clara compreendeu a exigência do Evangelho. Até numa cidade que se crê cristã, o Evangelho levado a sério pode parecer uma revolução. Hoje como naquela época, é preciso escolher! Clara escolheu, e isto dá-nos uma grande esperança. Vemos duas consequências da sua coragem de seguir aquele desejo: 1) muitas outras jovens daquele território encontraram a mesma coragem e escolheram a pobreza de Jesus, a vida das bem-aventuranças; 2) aquela escolha prolonga-se no tempo, inspirou opções vocacionais no mundo inteiro e continua a fazê-lo até aos dias de hoje.
Não se pode servir a dois senhores. A Igreja é jovem e atrai os jovens. Clara de Assis lembra-nos que os jovens gostam do Evangelho. Os jovens gostam das pessoas que escolheram e aceitam as consequências das próprias escolhas. E isto leva outros a desejar escolher. Trata-se de uma santa imitação: as pessoas não se tornam “fotocópias”, mas cada qual – quando opta pelo Evangelho – escolhe-se a si mesmo. Perde-se a si próprio e encontra-se a si mesmo.
Oremos pelos jovens; e rezemos para ser uma Igreja que não serve o dinheiro nem a si mesma, mas o Reino de Deus e a sua justiça. Uma Igreja que, como Santa Clara de Assis, tem a coragem de habitar a cidade de maneira diferente. Isto infunde esperança!


