(Eva Dias) – O antigo mosteiro beneditino de S. Martinho de Cucujães, de fundação anterior à da nacionalidade, foi adquirido em 1923 pelo Pe. José Vicente do Sacramento (1868-1933) e doado a D. Teotónio Vieira de Castro (1859-1940), Procurador-Geral das Missões Religiosas e Superior do Colégio das Missões de Tomar, que o transformou em Seminário das Missões.

A tríade de espaços formativos dos missionários dos Padres Seculares Portugueses ficaria completa em 1926, com a (re)integração do Colégio das Missões de Cernache do Bonjardim. Cucujães adquiriria maior relevância ao transformar-se no seminário de estudos de Filosofia e Teologia, local de residência do Superior dos Colégios das Missões e ponto de partida de muitas das iniciativas de animação missionária do país desenvolvidas por D. Teotónio. Essa preponderância viria a ser confirmada anos mais tarde, quando, em 1930, o Papa Pio XI (pont. 1922-1939) nomeou D. João Evangelista de Lima Vidal (1874-1958) para Superior de uma sociedade de missionários seculares vinculados às dioceses de origem − a Sociedade Portuguesa das Missões Católicas, hoje Sociedade Missionária da Boa Nova − e o Seminário de Cucujães para sua sede administrativa.
Desde 1923, para a maioria da população católica da Vila de Cucujães, suas redondezas e para lá destas, passou a existir um vínculo entre o topónimo, “os Padres das Missões”, ou somente “as Missões”. Esta relação foi-se estreitando e consolidando muito graças à ação de D. Teotónio e dos superiores gerais subsequentes, fundamental para alçar Cucujães a referência do ímpeto missionário da Igreja em Portugal. Contaram com o precioso auxílio das produções disseminadas pela Escola Tipográfica das Missões, mormente a imprensa missionária e, mais tarde, da Editorial Missões. Em contrapartida, de perto e de longe chegavam as mais firmes manifestações de apoio e comunhão com a causa missionária. São disso testemunho a presença da população local que acompanhava os missionários na despedida, antes da partida para as missões; a multidão que, anualmente, se reunia no Seminário de Cucujães para a Festa Familiar, − mais tarde transferida para a quinta do Seminário e apelidada de Festa Missionária −, ou acorria a Fátima para a Peregrinação Missionária; os muitos jovens que se reuniam para as Semanas e os Cursos Missionários; a assistência ávida das novidades que os encontros cinematográficos proporcionavam; e tantas outras manifestações deste vínculo sólido que se construiu entre o Seminário das Missões, Cucujães e paragens mais longínquas.
Com a deslocação do seminário maior de Cucujães para Valadares, em 1968, assistiu-se a um ligeiro abrandamento do ritmo de outrora, nada comparável com a acentuada diminuição das últimas décadas. Não obstante, longe do impulso missionário dos tempos idos, o Seminário das Missões de Cucujães continua a ser um centro de irradiação missionária, continuando a contar com o vínculo espiritual e afetivo de muitos, que se traduz na procura, no empenho e colaboração generosa nas iniciativas da Família Boa Nova. Porém, aqui e ali há sinais de saudade do bulício de outrora e o vínculo parece ter esmorecido. Cucujães parece estar mais longe dos “Padres das Missões”, exceto para aqueles que, de forma resiliente, insistem em fazer perdurar a memória de um vínculo com mais de cem anos de história. É disso exemplo o Monumento ao Missionário, da autoria do escultor cucujanense Paulo Neves, erguido próximo ao Seminário das Missões, como sinal de memória e gratidão por todos quantos levaram mais longe a fé em Jesus Cristo, e inscreveram o nome da Sociedade Missionária da Boa Nova e o nome de Cucujães nas páginas da história da Missão em Portugal e no mundo.


