
(Rita Valadas, Presidente da Cáritas Portuguesa) – Estes tempos são naturalmente inspirados pelo Dia Mundial do Pobre. Dar-lhe significado e tentar que possa ainda ser alerta, estímulo de reflexão e inspiração de ação foi o que me trouxe hoje a estas linhas. Nestes dias cruzam-se desafios múltiplos e angústias desesperançadas, que me fazem sempre pensar como poderemos “recompor” este mundo, que muda tanto quanto gira, e cada vez mais rápido… São tantos os desafios, que o tempo de reflexão se prejudica e se desmerece a necessidade do cuidar, do proteger e do rezar.
O VIII Dia Mundial do Pobre celebra-se a 17 de novembro (2024), dia que merece uma Mensagem do Santo Padre inspirada no caminho para 2025. Nesta mensagem, reforça a convicção “de que os pobres têm um lugar privilegiado no coração de Deus, que está atento e próximo de todos e cada um deles”. Sob o lema “a oração do pobre eleva-se até Deus”, somos convocados a preparar o nosso olhar e o nosso coração com vista ao Jubileu Ordinário de 2025, também com a certeza de que a oração do pobre chega à presença de Deus como veículo de comunhão e que devemos refletir para que a oração se construa como “aproximador”. Grande desafio…
O pobre é muito mais do que um produto de baixo rendimento. A pobreza é muito mais do que a falta de condições de subsistência ou de recursos. Manifesta-se pela fome, pela malnutrição, mas também pelo acesso limitado a meios, serviços prioritários, saúde, educação, e até à falta de participação. A tudo isto acrescem os muitos fatores de exclusão social. Neste ambiente, os mais frágeis são os que mais precisam de atenção, de olhares atentos às dificuldades e ao papel que todos podem ter na sua proximidade e na construção de soluções de vida que considerem cada um em toda a sua plenitude com vista a um mundo de esperança. A esperança constrói-se com todos os dons e todos bens, a experiência e a energia de cada um.
Ficam-me as palavras do nosso Papa. “No caminho para o Ano Santo, exorto todos a fazerem-se peregrinos da esperança, dando sinais concretos de um futuro melhor. Não nos esqueçamos de guardar «os pequenos detalhes do amor» (Exort. ap. Gaudete et Exsultate, 145): parar, aproximar-se, dar um pouco de atenção, um sorriso, uma carícia, uma palavra de conforto”. Uma última palavra de Esperança… Cada um de nós transporta tesouros únicos e dons especiais…. Muitas vezes desmerecemos isso e uma palavra que nos aconselhe ou inspire pode fazer toda a diferença, para nós e os que nos rodeiem. É preciso acreditar … nos “pequenos detalhes do amor”.
Este texto pode ser lido na versão impressa da Revista Boa Nova de novembro 2024. Faça já a sua assinatura.


