Muitas frentes de Missão no evoluir da História

(Maria Celeste Lúcio, Franciscanas Missionárias de Maria) – Unimo-nos novamente ao Jubileu dos 150 anos das Franciscanas Missionárias de Maria, através da partilha de Maria Celeste Lúcio, colaboradora de longa data da Boa Nova. Fraternalmente, em Cristo, caminhamos juntos na missão.

As FMM estão a celebrar 150 em missão. A Boa Nova junta-se com alegria a este Jubileu, pois estamos juntos nos caminhos da missão com Cristo. Foto: FMM

As Franciscanas Missionárias de Maria (FMM) estão celebrando 150 anos da fundação da sua congregação, celebração a concluir festivamente na Epifania 2027.

Que acontecimentos preencheram estes 150 anos?

Na Epifania de 1877, a Fundadora, Maria da Paixão, recebe do Papa Pio IX o reconhecimento do grupo de 20 Religiosas europeias reunidas em Ootacamund, Coimbatur, região do sul da India, confiada às Missões Estrangeiras de Paris.

O próprio Vaticano aconselha Maria da Paixão a abrir o primeiro noviciado na Europa. Assim aconteceu. E surgiram muitas vocações missionárias, dispostas a atravessar os mares. Em 1904, à morte da Fundadora, as Missionárias de Maria já estavam nos 4 grandes continentes. O Instituto das FMM estende-se a Portugal em 1895, pela mão da própria Fundadora.

O sec. XIX era a época da Industrialização: os homens na Europa deixavam os campos para trabalharem em fábricas nas cidades. A primeira obra em Portugal (Lisboa), é precisamente em favor dos operários.

As FMM organizam então, em toda a Europa, patronatos para as crianças e ateliers de costura, bordado, tipografias, para a Mulher ter o seu ordenado pelo trabalho realizado.

Na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), as Missionárias de Maria prestam serviço aos feridos de guerra, atuando numa ambulância bem perto da linha de fogo.

Na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), as FMM abrem, nos arredores de Roma, dois internatos para acolher as crianças cujos pais morreram na guerra. Irmãs de várias nacionalidades prestam serviço no Vaticano, com Pio XII, ajudando os deportados e desaparecidos na guerra.

No horizonte da Missão está a China. As FMM são enviadas ao Shensi, onde sete Missionárias de Maria são martirizadas. Juntamente com outros mártires, foram canonizadas em 2000. Logo surgiu um grupo para substituir as missionárias martirizadas, do qual fazia parte Maria Assunta Pallota que, vitimada numa epidemia, deixou na China rasto de santidade. Foi beatificada em 1954 por Pio XII. Atualmente há na China uma congregação sob o nome de Missionárias de Maria Assunta, inspirada no carisma das FMM.

Portugal, pela sua situação geográfica, torna-se porta de embarque para África e América Latina. Há notícia de que, em Portugal, o Concílio Vaticano II (1962-1965) foi o ponto de partida para renovação da Igreja e Sociedade, dando início a uma intensa formação bíblica e eclesiológica pelo aprofundamento das 4 constituiçõesconciliares: Lumen Gentium (sobre a Igreja), Dei Verbum (sobre a revelação divina), Sacrosanctum Concilium (sobre a sagrada liturgia), Gaudium et Spes (sobre a Igreja no mundo contemporâneo).

Em pleno sec. XX, as FMM colocam-se na vanguarda da criação de técnicos de serviço social e de enfermagem, na perspetiva missionária. Cria-se em Coimbra a Escola de Serviço Social (1937-1994) e, em Lisboa, a Escola de Enfermagem (1949-1997). Na senda do Vaticano II, procuram deixar as grandes instituições em favor de um maior número de inserções simples e com mais mobilidade para responder a situações imprevistas e pontuais. Outra forma de missão é a de trabalhar em conjunto com outros, como o caso de atuar com os Jesuítas nos Campos de Refugiados.