Nigéria: Tráfico de seres humanos esteve em discussão em cimeira que reuniu vários países de África e Vaticano

(Paulo Aido) – A capital da Nigéria acolheu na semana passada uma cimeira que reuniu diversos países africanos envolvidos na luta contra o tráfico de seres humanos. O português Mário Almeida, do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, do Vaticano, participou no encontro e destacou o papel que a Fundação AIS tem desempenhado na “luta contra este flagelo”, nomeadamente através do apoio a diversas instituições da Igreja no continente africano.

Foto: Fundação AIS

cidade de Abuja foi o palco escolhido para a cimeira inaugural da Rede Caminhos para a Liberdade em África, PFAN. Entre os dias 19 a 21 de Maio, debateram-se estratégias para o combate ao tráfico de seres humanos. O cardeal Fabio Baggio, secretário adjunto do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, da Santa Sé, esteve presente nesta conferência que incluiu representantes da Nigéria, Gana, África do Sul e do Quénia.

A cimeira contou ainda com o apoio à organização da Conferência Episcopal de Inglaterra e Gales, que esteve presente com três participantes. O português Mário Almeida, que trabalha para o referido Dicastério, participou também no evento e fez um balanço da conferência destacando o papel que a Fundação AIS tem desempenhado a nível global na luta contra o tráfico de seres humanos, realidade que o Papa Francisco considerava como sendo uma “chaga aberrante”.

O objectivo da cimeira, explica Almeida, foi o de “reunir esforços e constituir uma rede continental que reúna as diversas organizações que já lutam contra este flagelo”. Na reunião em Abuja, participaram também membros de diversas congregações, pessoas ligadas a instituições do governo nigeriano, da sociedade civil e também da Conferência Episcopal da Nigéria.

É neste contexto que Mário Almeida destaca o papel que a Fundação AIS tem desempenhado na luta contra o tráfico de seres humanos.

Gostaria de sublinhar o trabalho da Ajuda à Igreja que Sofre que, embora não tendo estado presente, faz muito para participar também para esta luta contra o tráfico de seres humanos. Porque digo isto? Porque uma das razões que está na base do tráfico de seres humanos é a pobreza, a violência e o desemprego.
Mário Almeida

O responsável dá como exemplo o trabalho desenvolvido pela fundação pontifícia na Nigéria. “A Fundação AIS – Ajuda à Igreja que Sofre, acaba por apoiar muitas das instituições da Igreja que se esforçam precisamente por lutar contra estes males sociais, criar comunidades mais solidárias e também aqui, na Nigéria, têm uma grande acção nas comunidades cristãs que têm sofrido violência, que têm sofrido ataques de terroristas islâmicos”, diz Mário Almeida, lembrando que “os deslocados internos são vítimas fáceis do tráfico de seres humanos”.

“A Fundação AIS tem ajudado muito a Igreja da Nigéria neste combate e rezemos todos para que termine esta grande chaga do tráfico de seres humanos”, diz a concluir.

De facto, a Fundação AIS tem apoiado as estruturas da Igreja em países onde a questão do tráfico de seres humanos é uma realidade, como é o caso da Nigéria, mas também do Paquistão ou do Egipto, por exemplo, países onde o rapto de raparigas e mulheres cristãs é um drama bem real. Muitas dessas raparigas são retiradas à força das suas famílias e comunidades e depois são forçadas a converterem-se ao Islão e, muitas vezes, obrigadas até ao casamento com os próprios raptores.