
Assinalam-se hoje 35 anos dos martírio do Padre Manuel Joaquim Cristóvão, considerado um mártir pela Sociedade Missionária da Boa Nova, por todos os que o conheceram e principalmente por todas as populações carentes que ele tanto ajudou.
Nasceu em 26 de abril de 1926, aqui em Corgas, Proença-a-Nova, e faleceu no dia 21 de janeiro de 1991, em Meboi (a caminho de Chibuto), Moçambique.
O Padre Manuel Joaquim Cristóvão iniciou os seus estudos no Convento de Cristo, em Tomar; passou também no Seminário das Missões, em Cernache do Bonjardim e concluiu os estudos da ordem missionária no Seminário da Sociedade Missionária da Boa Nova, em Cucujães.
Iniciou a sua vida missionária em Cucujães como Diretor da Escola Tipográfica das Missões e Diretor dos Irmãos. Em 1961 foi para Moçambique, como Coadjutor da Missão do Sagrado Coração do Chibuto. Aprendeu bem a língua Changane, de tal modo que foi chamado a elaborar os catecismos e os livros litúrgicos locais. Em 1962, fundou a Missão de Nossa Senhora da Saúde do Alto Changane, dedicando maior parte do seu tempo na evangelização e promoção das populações rurais numa área enorme.
Após a nacionalização das escolas das Missões e da ocupação das suas casas, em conjunto com o Ir. José Mota, seu companheiro da atividade missionária no Alto Changane, foi obrigado a partilhar a sua casa com funcionários do governo. Trabalhou então como empregado de loja e armazém para sobreviver e poder permanecer no meio do povo.
Durante a guerra civil moçambicana foi obrigado a mudar-se para o Chibuto. Colaborou na Diocese e foi diretor espiritual de congregações religiosas que muito o estimavam. Mas nunca abandonou a população do Alto Changane. Foi membro do Conselho Regional da Sociedade Missionária e Vigário Geral da Diocese de Xai Xai. Fiel ao seu lema de se imolar para o Senhor no serviço ao povo de Deus visitava regularmente as famílias e as pequenas comunidades que resistiram ao marxismo e às tormentas da guerra.
No último ano foi aconselhado pelo senhor Bispo, hoje Cardeal Júlio Langa, a ir só uma vez por mês. Mas ele fez um programa de visitas semanais para refazer a vida das comunidades dispersas e chamar à Igreja os seus amigos que se tinham afastado. Era acolhido pela população católica ou não católica. Conhecia os perigos que o ameaçavam, sobretudo na estrada entre o Chibuto e o Alto Cangane. Mas o seu amor ao povo o obrigava a viajar, de carro, a pé e de barco, quando era preciso atravessar o lago.
Diz o P. José Maria, seu companheiro na missão: “Foi levada a cabo a obra começada. Louvo ao Senhor e agradeço-Lhe o Dom desta vida e desta morte. Que deste «embrulho», agora rasgado, feito prenda em transparência, possamos beber aquele excesso de sentido, no qual, e só, é possível ser missionário também hoje”.
Nessa época contava aos seus familiares que precisavam dormir com roupas de trabalho, para a qualquer momento poderem fugir. Também houve época em que as cartas dos amigos e da família eram abertas antes de chegar as suas mãos e muitas vezes não as recebia.
Já tendo cumprido sua missão oficial, recebeu muitos convites de paróquias de Portugal e do Brasil para trabalhar, mas sempre dizia: lá (Moçambique) eles precisam mais de mim. Foi muitas vezes advertido de que a região que percorria estava infestada de grupos Armados e que corria perigo. Mesmo assim, nunca desistiu de sua missão. Em 21 de janeiro de 1991, nesse mesmo percurso morreu assassinado.
Está sepultado na Paróquia do Sagrado Coração do Chibuto, em Moçambique.


