
(Pe. Rui Ferreira, diretor da Revista Boa Nova)
Na era da inteligência artificial, não podemos esquecer que a poesia e o amor são necessários para salvar o humano.
(Francisco, Dilexit nos, n.º 20)
No mundo atual, onde os acontecimentos se sucedem a uma velocidade vertiginosa e em que somos constantemente bombardeados com informação por todos os lados, parece que nem sequer temos tempo para parar, saborear e digerir as coisas (especialmente as mais importantes).
O Jubileu da Esperança, em 2025, fica também marcado por sinais alarmantes para a família humana, como a suspensão do USAID (programa de ajuda humanitária dos E.U.A. a nível global) e a saída e os cortes no financiamento de vários organismos da O.N.U., logo após a eleição do atual presidente norte-americano. A continuação das inumeráveis guerras está a levar ao aumento do empobrecimento, das desigualdades e injustiças sociais e da crise ecológica, porque tudo está interligado nesta nossa casa comum.
Temos vindo a caminhar para o que podemos denominar de “Nova (Des)Ordem Mundial”, à qual urge responder. No seu último grande ensinamento, a Carta Encíclica Dilexit nos, o Papa Francisco alertou «que a sociedade mundial está a perder o seu coração». Ver o choro de avós e de crianças, vítimas inocentes e indefesas, «sem que isso se torne intolerável é sinal de um mundo sem coração» (nº 22).
Voltar ao Coração que Se fez carne em Belém, símbolo do amor humano e divino, unidos de forma perfeita em Jesus Cristo, ajudar-nos-á a encontrar soluções para a aparente desordem em que estamos mergulhados. Em Belém, no seio de Maria, Deus fez-Se carne – frágil e pequenino – e revelou ao mundo o Seu Coração, para podermos acolher o Seu amor misericordioso e compassivo e nos tornarmos seus filhos.
O Coração Sagrado «é o princípio unificador de toda a realidade» (Dilexit nos, nº 22). É o lugar da síntese. A vida do Papa Francisco, dos “santos ao pé da porta” e a eleição do Papa Leão XIV, com o seu veemente apelo à «paz desarmada e desarmante», devem reforçar a nossa fé e a esperança de que o mundo pode mudar a partir do coração. «Trabalho, educação, habitação e saúde são condições para uma segurança que jamais se alcançará com armas» (Leão XIV, Mensagem para o IX Dia Mundial dos Pobres). Eis a luta que devemos abraçar, para que possa germinar a paz e a justiça.
O Coração de Cristo «é o núcleo vivo do primeiro anúncio» (Dilexit nos, nº 32). Tendo recebido de graça esta Boa Nova, devemos dá-la de graça a toda criatura. Voltemos a Belém e adoremos prostrados o Coração misericordioso do nosso Deus, que das alturas nos visita como o sol nascente. Confiemos e adoremos, porque «só o Seu Amor tornará possível uma nova humanidade» (Dilexit nos, nº 219). A todos os nossos leitores, amigos, familiares e benfeitores, votos de um Santo e Feliz Natal!


