(Pe. José dos Santos Guedes, Diretor do Ano de Formação) – Foi um privilégio e uma graça ter orientado o Ano de Formação de 2025. Fomos agraciados com um bom número, dez no total, vindos de países e culturas diferentes: Angola, Brasil, Moçambique e Japão.

Partilhámos o mesmo teto e sentámo-nos à mesma mesa. Estudámos e refletimos juntos, dividindo tarefas, limpando a casa, lavando a louça e cozinhando aos fins de semana. E colaborámos na quinta, especialmente na vindima e na apanha da azeitona. A celebração eucarística foi diariamente o ponto alto da nossa caminhada, tendo Cristo como centro de tudo o que fizemos.
Ao chegarem, em fevereiro, experimentaram um grande choque térmico. Vindos do calor, entraram numa casa velha e gelada. Aos poucos, foram-se adaptando ao espaço físico e, principalmente, uns aos outros. De estranhos, foram-se tornando amigos e companheiros de viagem. Ao longo do ano, lemos e conversámos sobre as Constituições da Sociedade Missionária da Boa Nova (SMBN), aprendemos sobre a sua história e estudámos as encíclicas missionárias. Dedicámos tempo à oração, aprendendo com o Catecismo da Igreja Católica. Procurámos conhecer os grandes evangelizadores do passado, para aprendermos com eles e nos deixarmos guiar por eles. Em todos eles, encontrámos um grande amor por Cristo que os motivou a deixar tudo e a entregar-se de alma e coração à missionação. Todos mostraram grande criatividade em usar os melhores métodos de evangelização e todos fizeram um esforço extraordinário de inculturação, aprendendo a língua local e inserindo-se na cultura do povo. Começando por Paulo, lembrámos homens como Cirilo e Metódio, Francisco Xavier, Bartolomeo de las Casas, José de Anchieta, João de Brito, Daniel Comboni.
No Ano Santo Jubilar, não podíamos esquecer a dimensão da esperança, reconhecendo Jesus Cristo como a luz do mundo e o farol que nos guia. Vivendo em tempos de crise e de escândalos dentro da Igreja, não podíamos deixar de falar sobre a exigência de ter atitudes respeitosas para com todos: crianças, jovens, homens e mulheres. Todos, mas principalmente os mais vulneráveis, devem encontrar na Igreja um lugar de refúgio e de proteção. A Igreja é redil do rebanho e não esconderijo de lobos.
Que o Senhor abençoe e proteja os dez que fizeram este Ano de Formação.


