
(Sérgio Carvalho) – Quando se fala de martírio cristão, muitos imaginam, imediatamente, os primeiros séculos da Igreja com as perseguições do Império Romano, as catacumbas e as arenas onde tantos deram a vida por Cristo. No entanto, o martírio não pertence apenas ao passado. Ele continua a marcar dramaticamente o presente.
Os números são claros. Segundo os dados apresentados recentemente pela Santa Sé nas Nações Unidas, cerca de 365 milhões de cristãos vivem atualmente em contextos de perseguição ou forte discriminação por causa da fé, o que significa que aproximadamente um em cada sete cristãos no mundo sofre algum tipo de pressão religiosa.
A Santa Sé recordou, ainda, que milhares de cristãos são mortos todos os anos por causa da sua fé. Em alguns relatórios internacionais fala-se de cerca de cinco mil mortes anuais, o equivalente a mais de uma dezena por dia.
A denúncia foi feita pelo arcebispo Ettore Balestrero, observador permanente da Santa Sé junto das Nações Unidas, em Genebra. No seu discurso, sublinhou que os cristãos constituem atualmente o grupo religioso mais perseguido no mundo, vítimas de violência, detenções arbitrárias, expulsões e restrições graves à liberdade religiosa.
A perseguição assume hoje diversas formas. Em algumas regiões manifesta-se através de ataques terroristas, destruição de igrejas, raptos de sacerdotes ou massacres de comunidades cristãs. Noutras partes do mundo, apresenta-se de forma mais subtil, através da marginalização social, da discriminação legal ou da pressão cultural contra a expressão pública da fé.
Para a Igreja, aqueles que dão a vida por Cristo são mártires – testemunhas. Mas, do ponto de vista civil, são vítimas de graves violações da liberdade religiosa e dos direitos humanos fundamentais.
Num mundo que frequentemente considera a fé uma questão privada ou irrelevante, o testemunho destes cristãos recorda uma verdade simples: para muitos homens e mulheres, ainda hoje, acreditar em Cristo, continua a ter um preço muito elevado.


