
(Fabiano Sacalinha, SMBN) – O jovem Fabiano Sacalinha, membro temporário da Sociedade Missionária da Boa Nova (SMBN), partilha connosco a importância do Estágio Intermédio de Formação Missionária no seu percurso formativo. Para o Fabiano, o estágio tornou-se um verdadeiro processo de discipulado missionário, ao longo do qual foi aprendendo com humildade a importância da vida comunitária e do esvaziamento de si mesmo para, com total liberdade, se consagrar por toda a vida à missão na SMBN.
Eu, Fabiano Sacanumba Sacalucango Sacalinha, entrei na Sociedade Missionária da Boa Nova (SMBN) em fevereiro de 2014, no Seminário de São Francisco Xavier, em Luanda – Viana (Angola). Desde o primeiro passo, fui progressivamente descobrindo que o chamamento missionário não é apenas uma opção de vida, mas uma resposta quotidiana ao Deus que “chama”, “forma” e “envia”. Fiz o primeiro Juramento Missionário (temporário) a 27 de dezembro de 2020, em Cernache do Bonjardim, tendo renovado o Juramento Missionário a 6 de dezembro de 2024, no Seminário da Boa Nova, em Valadares – Vila Nova de Gaia (Porto), reafirmando o desejo de continuar este caminho de “entrega” e “disponibilidade” missionária.
Concluído o curso de Teologia na Universidade Católica Portuguesa, no Porto, fui nomeado para o Estágio Intermédio de Formação Missionária no Seminário das Missões – Cucujães. Durante o Ano Pastoral de 2025/2026, colaborei no Departamento da Animação Missionária, sob a orientação do Pe. Amaro Ferreira, Diretor do Estágio. Esta experiência permitiu-me integrar de forma concreta a dimensão formativa com a missão, ajudando-me a confrontar o que aprendi com a realidade viva de uma Igreja ad gentes. A consagração missionária, assumida mediante promessa e juramento, é para mim um compromisso indelével com a missão da Igreja no seio da SMBN. Enraizada no sacerdócio batismal, traduz-se numa entrega progressiva e consciente, vivida à luz das Constituições da SMBN, através do compromisso de fidelidade, obediência e castidade. Estes não se apresentam como limites, mas antes como caminhos de liberdade interior e de pertença total ao projeto de Deus.
O Estágio Intermédio revelou-se um tempo particularmente significativo no meu percurso formativo. Inserido no ciclo filosófico-teológico, é uma etapa que me prepara, se assim for discernido pela comunidade, para a eventual receção do Sacramento da Ordem (diaconado e, posteriormente, presbiterado), quando idoneamente aprovado pela Igreja. Vivido segundo o método do “ver”, “julgar” e “agir”, este estágio não se reduziu a uma experiência funcional, mas constituiu um verdadeiro processo de discipulado missionário. Nele, colaborei na formação de leitores e acólitos, bem como na pastoral de Animação Missionária, experiências que me ajudaram a integrar “fé”, “missão” e “criatividade pastoral”.
A missão, tal como a vou compreendendo, nasce sempre de uma resposta livre e consciente à chamada de Deus. Esta resposta só é possível quando enraizada numa relação pessoal de fé e de amor com Jesus Cristo vivo na sua Igreja. É dessa intimidade que brota a disponibilidade para dizer, no concreto da vida: “Eis-me aqui, envia-me” (Is 6,8). Ao longo deste caminho, tornou-se cada vez mais claro para mim que a vida comunitária é o elemento essencial e distintivo da SMBN. Ela forma-nos para um duplo horizonte: “fraterno” e “apostólico”, vivido no quotidiano através da oração comunitária, da solicitude pelos membros mais frágeis e do exercício constante de colocar o bem comum acima dos interesses pessoais. Neste horizonte, este tempo de estágio tem sido para mim um tempo de “desaprender” para verdadeiramente “aprender”, um caminho de “esvaziamento” e “abertura”. Reconheço, com humildade, que sou como um “mendigo sedento” do amor misericordioso de Deus, totalmente dependente da sua graça. O estágio apresenta desafios reais, exigindo perseverança, humildade e abertura para aprender com cada situação.


