Pe. Pe. Artur de Matos – Estamos num mundo de contrastes e tensões. Por um lado, o fenómeno da globalização que elimina as fronteiras industriais e económicas, por outro, o florescimento, por vezes radical e incontrolável, das autonomias e xenofobismos, que acentuam as diferenças, as culturas próprias e as fronteiras.

Se o fenómeno da globalização e da democratização deveria, à partida, favorecer este testemunho e este anúncio cria, não poucas vezes, indiferença e entraves à difusão do Cristianismo, dado que a Fé cristã colide com os interesses das multinacionais e de uma economia concorrencial em que a pessoa é apenas máquina e joguete de ocultos interesses. Por outro lado, o renascimento de fundamentalismos religiosos e políticos, que absolutizam a verdade e prendem a liberdade, nem sequer permitem testemunhar a fé e rezar ao Deus cristão. Porém, apesar de todos os riscos e situações, a Missão é ir, é levedar a massa, é testemunhar e anunciar, sem medo, que Cristo é o Senhor. Mas não será que os cristãos adormeceram demasiado nas suas seguranças e já não arriscam na lonjura, na amplitude, na fronteira, no martírio? Não será que o demasiado comodismo de um mundo materialista e consumidor cortou as asas da missão a uma Igreja demasiado fechada em si mesma?
Que é feito de ousadia, alicerçada na força do Espírito, que renova e impele os corações e a vida eclesial? Que é feito dos pais cristãos que vão calando aos filhos a maravilhosa aventura da vocação missionária e sacerdotal? Onde moram os cristãos que rogam por Pedro, prisioneiro, e enviam Barnabé e Paulo a outras gentes?


