
(Pe. Rui Ferreira, diretor da Revista Boa Nova)
«Ao entardecer, disse: “Passemos para a outra margem”. Desencadeou-se, então, um grande turbilhão de vento, e as ondas arrojavam-se contra o barco, que já estava quase cheio de água. Jesus, à popa, dormia. Acordaram-no e disseram-lhe: “Mestre, não te importas que pereçamos?” Ele, despertando, falou imperiosamente ao vento e disse ao mar: “Cala-te, acalma-te!” O vento serenou e fez-se grande calma. Depois disse-lhes: Porque tendes medo? Ainda não tendes fé?»
Mc 4, 35.37-40
A 13 de julho, terá início a XV Assembleia Geral da Sociedade Missionária da Boa Nova (SMBN). Espera-se que seja um tempo de graça, de avaliação do caminho percorrido e de discernimento do que o Espírito Santo nos sussurra ao coração. A Assembleia Geral é composta por delegados eleitos por todos os membros da SMBN, vindos de todas as nossas regiões missionárias (Portugal, Moçambique, Angola, Brasil e Japão), que têm por missão escutar Deus, entrescutar-se e discernir os caminhos sempre novos da missão que o Espírito nos convida a percorrer hoje.
Na Assembleia Regional de Portugal, realizada em março, D. Pedro Fernandes, bispo de Portalegre-Castelo Branco, fez ecoar para nós o convite de Jesus: “Passemos à outra margem”. A missão nunca é instalação, mas saída permanente na senda de Deus e dos irmãos aos quais Ele nos envia. Não podemos ficar parados na nossa margem de segurança!
Mas onde fica a outra margem? “A outra margem é o lugar da surpresa, da descoberta, da novidade e que se escuta em situações de crise e de conversão interior” (padre Adelino Ascenso). Uma das intuições da Assembleia Regional de Portugal foi a de escutar e discernir onde o Espírito nos chama a abrir um campo novo de missão. Seria a melhor forma Com Jesus, é sempre preciso ir mais longe e aceitar o desafio de avançar para o desconhecido. Eis o fundamento: Ele é o Senhor da viagem que nos convida, acompanha e sustenta. O medo paralisa. A fé move. O primeiro passo é escutar Aquele que nos convida a partir com ousadia e confiança rumo ao novo, livres e desapegados de esquemas prévios, pois a presença do Espírito leva-nos sempre mais além.
O tempo presente convida-nos a regressar ao essencial e a enfrentar os novos desafios numa sociedade fragmentada e líquida (ou mesmo gasosa!). Os institutos missionários devem ser elos de comunhão e participação na missão confiada a todos os batizados. Devemos compreender que não são os leigos que devem colaborar com os ministros ordenados, mas o contrário, pois a missão é da comunidade e está enxertada no Batismo comum, fonte da missão do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Pedimos encarecidamente a todos os leitores da Boa Nova que se unam a nós e rezem pelos bons frutos da XV Assembleia Geral, para que esta pequena parcela da Igreja, a SMBN, continue a levar a Boa Nova neste nosso mundo tão carente de paz, de pão e de perdão.


