Relatórios das Regiões Missionárias apresentados na XV Assembleia Geral da Sociedade Missionária da Boa Nova

Pe. Hipólito Vida, Delegado Regional no Japão. Foto: Agência Ecclesia

O terceiro dia desta Assembleia Geral foi dedicado à leitura dos Relatórios das Regiões Missionárias. O primeiro foi o de Moçambique, lido pelo Superior Regional, P. Anastácio que, num estilo muito pessoal e direto, informou sobre a situação da vida e atividade dos nossos missionários e paróquias de que são responsáveis. Tanto no relatório como na sua avaliação foram sublinhadas algumas notas que merecem referência: há apenas 11 membros em Moçambique, muito dispersos, devido às distâncias geográficas e, sobretudo às  distâncias sentimentais de amizade, de proximidade e de inter-ajuda. Também devido ao ambiente, apenas houve, neste mandato, duas reuniões do Conselho Regional e pouca comunicação; salientou a sua preocupação pelo isolamento dos membros e a enorme dificuldade em dar a todos a devida atenção e o apoio fraterno.

A nível mais alargado da Igreja em Moçambique, foi acentuada a grande possibilidade de algumas paróquias serem aglutinadoras de esperança e de apoio ao povo nas várias vertentes da vida. Nota-se que a população está aberta à novidade de Cristo e vai-se agregando a quem lhes fale primeiro d’Ele, incluindo centenas de seitas, ditas «igrejas cristãs», e mesmo o Islamismo, já com muita força e presença. Nota-se também um certo tribalismo no ambiente social e mesmo dentro da Igreja.

No que diz respeito à presença da SMBN, há a grande preocupação de evangelizar com as obras de caridade ou de dimensão social, sendo um exemplo notável a paróquia de Mavalane.

Num momento de avaliação ressaltou-se a necessidade urgente de rever com muito cuidado a situação da nossa presença em Moçambique.

Seguiu-se o Relatório do Japão, lido pelo P. Hipólito. Este sublinhou a especificidade da pastoral missionária do Japão, caracterizada por uma proximidade às minorias e por um ritmo pastoral diferente daquele encontrado em contextos de maioria cristã. Trata-se de uma missão de presença, de acompanhamento e de construção gradual de relações de confiança, onde os frutos nem sempre são imediatos ou quantificáveis. Neste contexto, torna-se necessário avaliar a ação missionária, não apenas por indicadores numéricos, mas também pela qualidade das relações estabelecidas, pela inserção eclesial e pelo testemunho de vida evangélica. Atualmente estão quatro membros no Japão: PP. Nuno, Hipólito, Tiago e o Diácono Edson.

Quanto à Região do Brasil, tomou a palavra o P. José Armando, Regional, que elencou os locais onde trabalhamos, a saber: Sul do Brasil – Mato Grosso: Paróquia de Nossa Sra do Perpétuo Socorro – Sete Quedas, Diocese de Naviraí; Paróquia de São João Batista – Paranhos, Diocese de Naviraí. No Sudeste do Brasil – Minas Gerais: Paróquia de Nossa Sra da Boa Nova – Contagem, Arquidiocese de Belo Horizonte; Seminário da Boa Nova – Contagem, Arquidiocese de Belo Horizonte; Paróquia Maria, Jesus e José – Barreiro, Arquidiocese de Belo Horizonte; Paróquia Nossa Senhora da Piedade de Paraopeba – Brumadinho, Arquidiocese de Belo Horizonte; Paróquia de São José de Paraopeba – Brumadinho, Arquidiocese de Belo Horizonte. NoNordeste – Maranhão: Paróquia de Nossa Senhora das Dores – Chapadinha, Diocese de Brejo.

Os membros da SMBN são 11. Estão todos num trabalho missionário de proximidade e de evangelização, atentos à enorme diversidade de situações pessoais e geográficas, em paróquias urbanas e rurais. É, sem dúvida, uma presença significativa, a exigir muito zelo apostólico para assistir pastoralmente as dezenas de comunidades existentes em todas as paróquias a seu cargo. Tem havido o esforço para o trabalho com o povo, na constituição dos diversos ministérios laicais e, no que diz respeito às nossas Equipas missionárias, esse esforço tem levado a que se evite um padre estar sozinho, havendo casos em que dois vivem na mesma casa paroquial, sendo párocos em paróquias diferentes.

As enormes distâncias entre os Grupos dificultam, naturalmente, os encontros mais frequentes, mas tem havido um esforço para haver a comunhão e a participação de todos no projeto comum.

O  P. Kusseta, Regional de Angola, tomou a palavra para ler o seu Relatório.  Os Missionários da SMBN estão em Angola há 56 anos e trabalham em 3 dioceses: Sumbe, Luanda e Viana. Em Viana, temos também o Seminário. Atualmente, estão ao serviço da Igreja de Angola 8 (oito) sacerdotes:  Pe. Aníbal Fernandes Martins Morgado, Pe. António Sebastião Kusseta, Pe. Constantino Mário Chingalule, Pe. Martinho Wambu Patele, Pe. Eduardo Daniel, Pe. Pedro Chey Dianingama, Pe. Kaquinda Dias e Pe. Alfredo Tumbo Júnior. E ainda nesse período, vários membros com Juramento temporário fizeram parte da Região de Angola – uns continuam os estudos em Portugal e outros foram ordenados presbíteros.

A vida comunitária é uma das características da SMBN; assim, tem havido a preocupação de viver em grupos, comunidades conforme previstas nas nossas Constituições; porém, a grave dificuldade durante este período de 2022 a 2026, reside na falta de membros para se constituírem equipas de pelo menos três membros cada. Sendo assim, as comunidades de Santa Ana e da Rainha Santa Isabel – nunca tiveram mais de dois Padres; e nisso, a Gabela é a mais sacrificada enquanto comunidade.

A pastoral é eminentemente missionária, e em muitas áreas, é uma evangelização de primeiro anúncio, especialmente na nova paróquia de S. Pedro Apóstolo.

Num breve resumo das carências e das esperanças, o P. Kusseta afirmou:  «A paróquia da Gabela precisa de ser reforçada pelo menos com um sacerdote; a Paróquia de São Pedro – é uma paróquia que está a começar do zero: sem residência paroquial, transporte, material litúrgico, entre outras; espera-se a ajuda dos benfeitores para a resolução destas dificuldades; a Paróquia de Santa Ana – caminha para ser santuário, muitos fiéis visitam esta Igreja, alguns vindos de longe, por isso, a grande dificuldade é o número reduzindo de sacerdotes que aí residem; no Seminário as dificuldades prendem-se à estabilidade da equipa formadora, acompanhamento e discernimento vocacional e o aspeto económico.

Estas são as razões e os motivos das nossas alegrias e esperanças neste momento, de muitas turbulências e crises que vivemos nesta terra, na qual somos chamados a evangelizar e anunciar o Senhor Jesus.

Saíram, hoje, mais duas notícias no site da Agência ECCLESIA:

https://agencia.ecclesia.pt/portal/igreja-missoes-entre-a-seca-de-vocacoes-portuguesas-e-a-pujanca-de-angola-sociedade-da-boa-nova-procura-caminhos-de-futuro

https://agencia.ecclesia.pt/portal/sociedade-da-boa-nova-ser-missionario-no-japao-e-aprender-a-escutar-antes-de-falar-afirma-padre-hipolito-vida

Delegados da XV AG da SMBN