Palavra Para a Missão #56 – 17/07/2026

(Pe. Tiago Tomás) – Mesmo quando o joio parece misturar-se com o trigo, Deus continua a agir com paciência, fazendo germinar o bem e conduzindo tudo ao seu tempo. Também nós somos chamados a semear esperança, confiar na ação de Deus e não desanimar perante as dificuldades. Os pequenos gestos de fé, amor e serviço são sementes que podem transformar vidas e fazer crescer o Reino.

Diletos, amigos e amigas!

O que é o Reino de Deus? Como é que ele cresce? É disto que as leituras deste domingo nos falam. O Reino de Deus não é um lugar onde entramos, mas alguém a quem permitimos entrar em nós. E é por isso que ele nunca pode ser medido pela febre das estatísticas, pela obsessão dos números, pela ânsia da visibilidade ou pelas imagens de poder que tantas vezes nos seduzem. Nós como membros da Igreja. 

O Reino de Deus cresce onde Deus encontra espaço para reinar, não onde nós encontramos espaço para aparecer. Deus desmonta, Jesus desmonta, neste Evangelho deste domingo a lógica mundana do protagonismo social com a humildade da semente pequena, a invisibilidade do fermento e a paciência do campo onde o joio convive com o trigo. Três parábolas que denunciam a tentação de transformar a missão num palco, a fé num espetáculo e a evangelização numa corrida por relevância social. 

Há quem construa um reino de Deus sem Deus, feito de agendas, eventos, multidões e aplausos. E há quem adore um Deus sem reino, reduzido a devoções privadas que não convertem à Vida. Mas o Reino de Deus nasce da conversão dos corações, manifesta-se na fidelidade escondida, cresce na humildade, na paciência, na obediência e na verdade. Cresce quando alguém renuncia ao aplauso para permanecer fiel. Quando um cristão escolhe o bem, sem alarido. Quando uma comunidade de fé prefere a profundidade à popularidade. Quando a Igreja rejeita a tentação de se mundanizar para permanecer fiel a Deus. 

E aqui surge uma pergunta que talvez nós deveríamos meditar sobre ela, muito. Será que permito que o Reino de Deus cresça em mim? Será que ainda cresço segundo a medida, a altura e a profundidade do Reino de Deus? O maior milagre não é a expansão visível da Igreja, mas a transformação invisível de um coração fiel que finalmente se rende ao Reino de Deus. Peçamos, portanto, a coragem de olhar o Reino com os olhos de Deus, de construir o Reino de Deus, que pertence a Deus, com os instrumentos infalíveis de Deus e a lucidez profética de reconhecer que o Reino de Deus cresce mais depressa no coração de Deus do que em nossos relatórios ou nossos cálculos. 

A todos, um abençoado domingo.