XV Assembleia Geral da SMBN: “Felizes sereis…”

(Filipe Monteiro e Eva Dias) – Nas primeiras impressões colhidas após a XV Assembleia Geral da Sociedade Missionária da Boa Nova, a revista Boa Nova escutou os principais desafios e expectativas junto do Superior Geral eleito e dos representantes das regiões onde trabalham os Missionários da Boa Nova. Rumo ao centenário (1930-2030), encaram o futuro com esperança realista, procurando o reforço do carisma e da identidade missionária, a adaptação aos novos desafios da Missão, apostando na formação, em estruturas mais ágeis, nos leigos e na abertura de um novo campo de missão.

Direção Geral da SMBN. Mandato 2026-2030. Foto: SM Boa Nova

Eleito na XV Assembleia Geral da Sociedade Missionária da Boa Nova (SMBN) para o mandato 2026-2030, o Pe. Luís Castro assume o cargo de Superior Geral com um percurso ligado à formação, à missão ad gentes e à experiência multicultural. Chegou ao Seminário das Missões em Cucujães aos 13 anos, em 1987, iniciando um caminho que o levaria à experiência missionária em Moçambique, à formação e aos estudos de Teologia Bíblica em Roma.

Superior Geral da Sociedade Missionária da Boa Nova: P. Luís Miguel Pereira de Castro. Foto: SM Boa Nova

Depois dos estudos em Cucujães, Cernache do Bonjardim e Fátima, regressou a Cucujães para o Ano de Formação e o primeiro juramento missionário a 16 de julho de 1994. Seguiu para o curso de Teologia, em Valadares, antes de partir para Moçambique, em 1999. A experiência missionária levou-o primeiro à província de Nampula e, posteriormente, a Maputo, onde trabalhou nas paróquias do Aeroporto e de Mavalane. 

Ordenado diácono em Maputo e sacerdote em Portugal, em 2001, regressou posteriormente a Moçambique, onde trabalhou no seminário da Matola como formador dos alunos de Filosofia e diretor espiritual do Ano de Formação. Mais tarde, prosseguiu os estudos em Roma, onde obteve a licenciatura canónica e o doutoramento em Teologia Bíblica na Pontifícia Universidade Urbaniana. Desde 2019, tem desenvolvido o seu ministério sobretudo no Seminário de Valadares, primeiro como diretor espiritual, depois como formador.

A formação constitui, assim, uma das principais marcas do seu percurso: “O meu trabalho foi sempre muito de formação”, afirma, recordando também o trabalho desenvolvido em Moçambique na formação de acólitos, leitores e ministros leigos. A experiência missionária deixou-lhe igualmente uma atitude de abertura perante outras culturas, que considera particularmente importante para uma sociedade missionária no mundo atual.

É neste contexto que o seu mandato se apresenta como um novo período. Com o centenário da SMBN no horizonte, o Pe. Luís Castro deseja que a celebração não seja apenas uma evocação histórica: “Que este jubileu não seja apenas uma comemoração do passado, mas um agradecimento ao passado para nos projetar para o futuro”, explica.

Entre os objetivos traçados na Assembleia Geral estão o reforço da consciência do carisma e da identidade missionária, centrada nas dimensões ad gentes, ad intra e ad extra, e a resposta aos novos desafios da Missão, como as migrações, as transformações culturais, a comunicação digital e a inteligência artificial. 

No horizonte está também a abertura, até 2030, de um novo campo missionário. Perante a diminuição do número de membros, o Pe. Luís Castro defende estruturas mais ágeis e comunidades missionárias de menor dimensão, procurando preservar a vida comunitária. “Não temos de sonhar regiões grandes, mas talvez sermos mais ágeis no tipo de estrutura que temos, pequenas comunidades, onde haja mais partilha entre as diferentes comunidades”, considera.

Para os próximos quatro anos, o novo Superior Geral identifica, porém, um objetivo que ultrapassa estruturas e projetos: “Gostava muito que a Sociedade Missionária conseguisse, de facto, redescobrir aquela jovialidade e aquele entusiasmo que a caracterizou ao longo da sua história”, afirma. Num contexto marcado pelo envelhecimento e pela redução de membros, o desafio passa por reencontrar “a nossa identidade, a beleza e o entusiasmo pelo nosso trabalho como missionários”.

É também esse entusiasmo que deseja ver refletido na Revista Boa Nova. Aos leitores, deixa o desejo de que a publicação possa ajudá-los a conhecer “o que é a nossa vida e o que é a vida da Missão ad gentes” e, sobretudo, que possa “levar entusiasmo missionário aos seus leitores”.