(Djúcio Patrício Tequela, Seminarista de Teologia da SMBN) – O Djúcio Tequela é um jovem moçambicano, membro da SMBN, atualmente a estudar teologia em Valadares. Em 2023, o Djúcio fez o seu Estágio Intermédio de Formação Missionária nas paróquias de Nossa Senhora de Fátima e do Imaculado Coração de Maria, em Nametil, Arquidiocese de Nampula, sua terra natal. Este jovem, que se prepara para se consagrar por toda a vida à missão, partilha connosco o modo como esta experiência missionária o ajudou crescer na alegria de ser missionário junto do seu povo.

Como se costuma dizer, a missão faz-se caminhando. Na missão aprendemos a conviver com os outros, independentemente da sua condição social. Para mim, esta experiência missionária foi um pouco pesada, mas também frutuosa. Como estive na minha paróquia de origem, tinha já uma ideia preconceituosa de como iria ser a estadia. Foi difícil ambientar-me, porque exigiu que me inculturasse de novo. Recordei-me logo da conversa entre Jesus e Nicodemos sobre o ter de nascer de novo (cf. Jo 3, 1-21).
O facto de falar a língua local não foi suficiente para a integração cultural. Em todos os lugares que visitava, era uma história, uma novidade, e foi aí, onde aprendi que é possível e necessário inculturar-se na sua própria terra, aprendendo a contemplar o povo de Deus tão maravilhoso quanto ele é.
A sinodalidade é fundamental na vida dum missionário consagrado e de todo e qualquer cristão. Poderíamos mesmo dizer que é uma exigência para nos tornarmos bons cristãos. Deparei-me com a falta desta sinodalidade – refiro-me ao caminhar juntos entre o pároco e os fiéis, e vice-versa – devido à falta de missionários que poderiam ajudar os povos a caminhar juntos.
As paróquias onde estagiei, quanto à sua extensão, são provavelmente as maiores da Arquidiocese de Nampula, visto que têm quatro regiões, consideradas quase-paróquias, que, após serem divididas, originaram duas paróquias; e, em cada Região, existem aproximadamente 39 a 40 Comunidades cristãs. Mesmo com a recente divisão, a paróquia necessita de novas divisões e de muitos mais missionários, tanto leigos como padres. Agora são duas paróquias, mas cada uma delas pode originar novas paróquias.

Durante o Estágio, tive a oportunidade de crescer humana, pastoral e, acima de tudo, espiritualmente, pois é no campo de missão onde se aprende e se desenvolvem os dons, na convivência com o povo. Como tal, o Estágio Missionário foi um desafio e uma oportunidade de amadurecimento pessoal. Nas dificuldades encontradas, a oração revelou-se uma arma poderosa. A oração ajuda-nos a ultrapassar todas as barreiras que dificultam a caminhada e o crescimento humano, pois sem Deus nada é possível.
Algo essencial que aprendemos na missão é a humildade. Sem humildade tudo é mais difícil. O povo assemelha-se a uma criança que, na sua humildade, precisa de cuidado e de uma carícia. Sempre que possível um pastor deve apascentar os seus cordeiros e deixar que as ovelhas o conheçam.
A missão faz o missionário e o missionário faz a missão. Para mim, o Estágio Missionário foi uma experiência de vida, com momentos marcantes, que reforçaram a alegria de ser missionário. Como diz um canto do Pe. Rui Ferreira: «missão é partir e partilhar/ missão é chegar, receber e dar». Na missão não só recebemos, mas devemos dar; dar de diferentes modos, mas sobretudo doar todo o nosso ser, aceitando ou deixando que o povo venha ao nosso encontro. É nessa abertura que o missionário se deve doar na missão.


