[MEMORIAL]: Da instituição à internacionalização: as primeiras Assembleias Gerais da Sociedade Missionária da Boa Nova

(Eva Dias) – O I Capítulo Geral da Sociedade Missionária Portuguesa, iniciado a 8 de julho de 1964 no Seminário de Cucujães (Missionário Católico, jul. 1964, p.8), marcou a maturidade institucional do Instituto, comparável à nomeação do primeiro Superior Geral oriundo das suas fileiras − P. João Craveiro Viegas (1949-1959). Deste encontro resultou a eleição do P. Manuel Fernandes, depois confirmada pela Santa Sé, que reconheceu o «alto lugar que vinha exercendo zelosa e proficientemente, desde 1959» (MC, ago.-set. 1964, p.5)

Foto: Arquivo Boa Nova

Quatro anos depois, realizou‑se a II Assembleia Geral (Cucujães, 30.07-14.09.1968), onde foi eleito Superior Geral o P. Alfredo Alves (1968-1974). Reuniram-se duas dezenas de membros para refletir «sobre a vida da Sociedade em ordem a uma maior adaptação aos tempos de hoje, bem como ao ritmo e às orientações do Concílio» (MC, set.-out. 1968, p.9). De facto, as exigências do Concílio Vaticano II (1962‑1965) impulsionaram sobremaneira a renovação dos institutos missionários.

Porém, a renovação mais profunda emergiu da III Assembleia Geral (11.07‑28.07.1974), a primeira realizada no Seminário da Boa Nova, em Valadares, com a presença de delegados do Brasil − campo de missão iniciado quatro anos antes −, onde foi eleito o P. Manuel Castro Afonso (1974‑1980). Além da receção das orientações do Vaticano II, a Sociedade Missionária Portuguesa integrou as reflexões dos institutos missionários reunidos em Coimbra (junho de 1974) para «repensar a Missão», num contexto marcado pela Revolução de Abril e pelas consequentes mudanças políticas e missionárias (BN, set. 1974, pp.11‑13). A questão da Evangelização em Moçambique e Angola, que caminhavam a passos largos para a independência, assumiu natural centralidade, levando à publicação integral do documento Para um compromiss ocada vez mais evangélico ao serviço das Igrejas locais (BN, out. 1974, pp.11‑20).

A IV Assembleia Geral (Valadares, 28.07‑05.09.1980), onde foi eleito o P. Manuel Augusto Trindade (1980‑1986), coincidiu com o primeiro ano das comemorações do 50.º aniversário da Sociedade Missionária. A Revista Boa Nova dedicou-lhe um número especial, destacando o novo espírito evangelizador e os caminhos missionários trilhados e a trilhar, incluindo no Zimbabué e na Zâmbia. Contudo, a preocupação maior recaía sobre os seminários e a pastoral vocacional, levando a Assembleia a «apelar mais para a participação dos sacerdotes e seminaristas diocesanos portugueses na actividade missionária da Igreja» (BN, nov. 1980, pp.3, 6‑25).

A V Assembleia Geral (Valadares, 07.07‑13.08.1986) − com a participação de delegados da Zâmbia e a recondução do P. Trindade para um segundo mandato (1986‑1990)−, teve ampla repercussão na Revista Boa Nova. Publicou-se o primeiro capítulo revisto e atualizado das Constituições (BN, out. 1986, pp.6‑9) e uma edição especial dedicada à reunião (BN, nov. 1986). Em dezembro, deu-se a conhecer melhor o Instituto, com a designação que viria a ser formalizada mais tarde: Sociedade Missionária da Boa Nova (BN, dez. 1986, pp.7, 15‑27). Por estas edições perpassa o cuidado na clarificação estatutária do Instituto, sublinhando-se a sua identidade como «expressão peculiar da dimensão missionária das dioceses» e «braço estendido da Igreja em Portugal aos povos do mundo inteiro» (BN, out. 1986, p.6).

A VI Assembleia Geral (16.07‑10.08.1990), a primeira realizada no Seminário de S. Francisco Xavier, em Fátima, confirmou o caminho rumo à internacionalização do Instituto, com a abertura «aos jovens dos países onde trabalha que lhe pedem o direito de realizarem a sua vocação missionária através da Sociedade, e vivendo o seu carisma». Neste sentido, adotou «para todos os países em que trabalha ou vier a trabalhar, o nome comum de Sociedade Missionária da Boa Nova (abreviadamente Missionários da Boa Nova), […] um nome já em uso não oficial no Instituto» (BN, out. 1990, pp.8-9), designação que se mantém até à atualidade.