(Francisco Pereira) – No alto do monte, Jesus revela a sua glória e confirma a esperança dos discípulos. A Transfiguração recorda-nos que, mesmo no caminho exigente da cruz, a luz de Deus precede-nos e sustém-nos. Escutar Jesus, levantar-nos sem medo e descer do monte para a vida concreta: eis o desafio da missão.
O Evangelho deste II domingo da Quaresma convida-nos a acompanhar Jesus com os seus discípulos Pedro, Tiago, João e seu irmão a um alto monte. Na Bíblia, o monte, ou montanha, é sempre um lugar de encontro e de intimidade com Deus.
Foi esta experiência que aqueles discípulos fizeram e que nós hoje também somos convidados a fazer: subirmos aos montes e às montanhas da nossa vida, muitas delas que exigem esforço, exigem ascese, exigem renúncia, para que aí precisamente, ainda que de uma forma paradoxal, nos encontremos com Deus. E nesse momento, também possamos escutar aquilo que aqueles discípulos escutaram: «Este é o meu Filho, muito amado. escutai-O».
Já tínhamos ouvido isto no batismo de Jesus, e voltámos a escutar. É Deus que nos relembra também isso a cada um e a cada uma de nós. Nessa perspetiva, para que essa intimidade seja mais intensa e, diria, mais responsável, para que possamos levar para a nossa vida. É preciso termos em conta também a Lei e os profetas, para que possamos entender que esta missão e esta salvação que Deus nos oferece não começa só aqui e agora, mas já foi prometida e se concretiza no quotidiano da nossa vida.
Daí que, há a sugestão de Pedro de fazer três tendas, porque se que sentia, de facto, bem, sentia-se aprazível daquela intimidade, naquele encontro com Deus. Jesus diz-lhes que é necessário descer do monte para irmos ao encontro das realidades concretas da nossa própria vida.
Para aí, e é esta a Palavra Para a Missão para nós hoje, transfigurarmos todas essas realidades desfiguradas, pelo pecado, pela discórdia e pela dúvida, por tantas realidades que nos possam acontecer, é preciso transfigurar, configurar essas realidades com sentido e com significado, com Cristo, que é a nossa salvação, que é o nosso modelo, que é o Filho de Deus e, por isso também nos torna, a cada um de nós, irmãos e irmãs uns dos outros.
Nessa perspetiva, então, deixemos que a graça de Deus nos habite e nos ajude a transfigurar aquelas realidades que ainda estão desfiguradas no nosso coração e na nossa existência.


